sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Natal.

Tempo de dar e receber presentes, decoração rebuscada, muito cetim e fios de ouro, luzes por todos os lados, o bom velhinho de vermelho que presenteia a criançada. Parafraseando Cecília Meireles em uma de suas crônicas, me parece muito luxo, para homenagear o nascimento Daquele que nasceu em um celeiro e foi envolto em panos pobres.
Não vejo que sentido há em gastar tanto em enfeites natalinos, luzes enquanto o motivo da celebração é o nascimento Daquele que veio para nos trazer a mensagem de paz, amor, simplicidade, caridade, enquanto há tantos sentindo frio e passando fome nas ruas.
O comércio se movimenta, há geração de emprego e renda, o governo injeta dinheiro para aquecer a economia por meio do 13º salário, não ignoro isto, de fato é uma época que muitos têm oportunidade de ganhar um dinheiro extra, a crítica que eu faço é em relação ao exagero, ao dispensável, ao fútil.
Na hora de comprar aquele arranjo natalino carissímo, pense em como isso é superfluo e que este dinheiro poderia fazer a ceia de uma família mais feliz.
No mais, que possamos lembrar do verdadeiro sentido do Natal, e lembrar também dos ensinamentos de Jesus, não só em datas comemorativas, mas a cada dia, o ano inteiro.

Amarás o teu próximo como a ti mesmo(Mateus 19.19)

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Desmusicalização.

Tudo que espalhei por este chão de giz foi recolhido, mas os devaneios que me torturam, insistem, resistem, tolos devaneios concretos, pode parecer sem nexo, mas para mim faz sentido jogar tudo em um pano de jogar confetes e deixar tudo espalhado pelo ar. Gastei muito do meu batom, para satisfazer pouco do meu vício. Já disse Vinícius: "Se o amor é fantasia, eu me encontro ultimamente em pleno carnaval", não sei o que Freud explica, mas meu carnaval passou, that's over, baby! No mais, já fui.


sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Foi.

Triste é quando a certeza se desfaz. A dúvida não ocupou seu lugar, nada ocupou seu lugar.
E ali nem o vazio ficou, há quem duvide mas o vazio ocupa muito espaço.
A certeza se foi, e não tenho certeza de voltará.
Errado? Não, inSerto!




Escrito em solo carioca, com pensamentos paraibanos vagando por espaços paulistas.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Platônico II.

João Pessoa, 09 de dezembro de 2010.

J... ,

Em primeiro lugar, digo que minha intenção ao te escrever esta carta, é apenas para falar algo que está guardado em mim há muito tempo, mas que continua aceso. Não tenho intenção de influir na sua vida e em seus planos, e não espero por resposta alguma, por meio de ações ou palavras, mas claro que se houver alguma, será bem vinda.
Não sei bem o que represento, ou representei para você algum dia, não sei se fui apenas mais uma na sua história. Esta carta é simplesmente para dizer que para mim você não apenas mais um. É incrível de como me lembro de detalhes da época em que nos conhecemos e passamos a estar mais próximos. Telefonemas, visitas inesperadas, festas, shows, noites na praia, em frente ao portão de casa, aparições no meio da madrugada... Cada vez que lembro o dia que nos conhecemos, me passa um filme na cabeça. Você sempre foi uma ótima companhia, e sempre mexeu comigo de uma maneira singular, diferente, única, e não entendo como e nem por que mexe até hoje, mesmo com tanta ausência, com tanto tempo que passou.
Acho que já faz um ano que não nos vemos. E não sei qual seria minha reação ao te ver se te visse hoje, ainda mais depois de abrir meu coração desta forma, só sei que não seria tão natural quanto eu gostaria, pois para mim reação natural ao te ver é te abraçar e te beijar, mas sei que hoje não poderia fazer isto, e quando penso nisto chega até a me dar uma pontada de ciúmes.
Sei que em muitos momentos fui tola com você, na nossa última aproximação, não sei se estou certa, mas sinto como se tivesse jogado fora uma oportunidade de estar com você de fato. Poderia dizer que foi medo de me magoar mais uma vez (pois também já me magoei com você, mas mesmo assim, não deixou de ser especial para mim), poderia dizer que estava confusa ou que não era o momento certo, mas não, assumo que fui tola mesmo.
Meu sentimento todo não cabe nesta carta, mas uma parte dele está aí, só para que você saiba que ele existe, que ele resiste.
Espero ser para você no mínimo uma saudade boa, uma lembrança doce.


Beijos com muito carinho,

Natália Angela Pessoa.


Sim, esta é uma carta se amor escrita por mim, e como eu já disse, amor platônico é falta de coragem, e como disse Leoni na música "Alice": "Eu guardo pra te dar as cartas que não mando..."
Quem sabe um dia a coragem brota, ou você passa por aqui e entende o sinal.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Santo capsilone.





Na corriqueira balada, olhei em volta, e estranha me senti, eu vi o oco de onde eu estava. Bar da moda, com as músicas da moda, bar lotado de muito vazio, mais uma noite observo o saldo bancário que diminui, o cansaço do dia seguinte que se multiplica. Relevante foi estar com meus queridos amigos, em qualquer lugar, estar com eles vale a pena, motivo para questionar-me ainda mais, então para que ir para um ambiente tão lotado e vazio? Estou tal qual mulher que apanha do marido, reclama e continua com ele, e aqui revelo meu medo de um dia também me esvair, peço proteção aos céus para abençoar meu capsilone e mantê-lo ele bem apertado, vedado, para meu conteúdo não sair.
Outras declarações ficam a cargo do grande Vinícius.



As mulheres ocas
[Vinícius de Moraes]
Nós somos as inorgânicas
Frias estátuas de talco
Com hálito de champagne
E pernas de salto alto
Nossa pele fluorescente
É doce e refrigerada
E em nossa conversa ausente
Tudo não quer dizer nada.

Nós somos as longilíneas
Lentas madonas de boate
Iluminamos as pistas
Com nossos rostos de opala.
Vamos em câmara lenta
Sem sorrir demasiado
E olhamos como sem ver
Com nossos olhos cromados.

Nós somos as sonolentas
Monjas do tédio inconsútil
Em nosso escuro convento
A ordem manda ser fútil
Fomos alunas bilíngües
De "Sacre-Coeur" e "Sion"
Mas adorar, só adoramos
A imagem do deus Mamon.

Nós somos as grã-funestas
Filhas do Ouro com a Miséria
O gênio nos enfastia
E a estupidez nos diverte.
Amamos a vida fria
E tudo o que nos espelha
Na asséptica companhia
Dos nossos machos-de-abelha.

Nós somos as bailarinas
Pressagas do cataclismo
Dançando a dança da moda
Na corda bamba do abismo.
Mas nada nos incomoda
De vez que há sempre quem paga
O luxo de entrar na roda
Em Arpels ou Balenciaga.

Nós somos as grã-funestas
As onézimas letais*
Dormimos a nossa sesta
Em ataúdes de cristal
E só tiramos do rosto
Nossa máscara de cal
Para o drinque do sol posto
Com o cronista social.


* Uma das categorias da Nova Gnomônia, de Jayme Ovalle, que classifica os seres e as coisas em: datas, parás, mozarlescos, kernianos e os onézimos, sendo estes conhecidos "pés-frios". Para maiores esclarecimentos, ver o capítulo [a crônica] "A Nova Gnomônia" em Crônicas da província do Brasil, de Manuel Bandeira.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Tabu.

Não consigo ver o amor e suas demonstrações como um pecado. Como pode algo tão sublime não ser de Deus? Se amar é pecado, me esclareça: Se outra tu não tem, e eu só tenho a tu, a quem estaremos enganando caso isso aconteça? Minha razão não entende este ultrapassado tabu.
Não preciso declamar ao mundo, nem ostentar um símbolo feito de vil metal para saber do que sinto, sei que é para sempre, pois o infinito é enquanto existe, e se hoje há, por que não nos deleitar?
Não significa que eu ache que amanhã não vou mais te amar, eu posso sim esperar, mas devo? Se hoje eu tenho certeza que meu amanhã é contigo, o que há de mal aproveitar também no presente.
O pecado mora na indiferença, no desamor, na mentira. Se no ato de amar nenhum desses sentimentos há, envolvida nos teus braços prefiro estar, discriminalizar nosso prazer e não banalizar nosso amor.
Falo de amor, não confunda naturalidade com promiscuidade, o que é natural, não deixará de ser divino.


Mas se unir nossos corpos ainda for pecado, aceito correr o risco para irmos juntos mil vezes ao céu, antes de cair vertiginosamente nas garras do diabo.


Reclusão.

Não tenho vocação para solidão, até gosto estar só. Mas a linha que divide o "ser" e o "estar" não é tênue. Carrego em meu intímo um pouco de solidão quando fico com meus pensamentos, dúvidas, desejos e ambições, e é onde prefiro ser só, do que só estar no meio da multidão.


Reclusão não é solidão, solidão é outra coisa.