sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Natal.

Tempo de dar e receber presentes, decoração rebuscada, muito cetim e fios de ouro, luzes por todos os lados, o bom velhinho de vermelho que presenteia a criançada. Parafraseando Cecília Meireles em uma de suas crônicas, me parece muito luxo, para homenagear o nascimento Daquele que nasceu em um celeiro e foi envolto em panos pobres.
Não vejo que sentido há em gastar tanto em enfeites natalinos, luzes enquanto o motivo da celebração é o nascimento Daquele que veio para nos trazer a mensagem de paz, amor, simplicidade, caridade, enquanto há tantos sentindo frio e passando fome nas ruas.
O comércio se movimenta, há geração de emprego e renda, o governo injeta dinheiro para aquecer a economia por meio do 13º salário, não ignoro isto, de fato é uma época que muitos têm oportunidade de ganhar um dinheiro extra, a crítica que eu faço é em relação ao exagero, ao dispensável, ao fútil.
Na hora de comprar aquele arranjo natalino carissímo, pense em como isso é superfluo e que este dinheiro poderia fazer a ceia de uma família mais feliz.
No mais, que possamos lembrar do verdadeiro sentido do Natal, e lembrar também dos ensinamentos de Jesus, não só em datas comemorativas, mas a cada dia, o ano inteiro.

Amarás o teu próximo como a ti mesmo(Mateus 19.19)

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Desmusicalização.

Tudo que espalhei por este chão de giz foi recolhido, mas os devaneios que me torturam, insistem, resistem, tolos devaneios concretos, pode parecer sem nexo, mas para mim faz sentido jogar tudo em um pano de jogar confetes e deixar tudo espalhado pelo ar. Gastei muito do meu batom, para satisfazer pouco do meu vício. Já disse Vinícius: "Se o amor é fantasia, eu me encontro ultimamente em pleno carnaval", não sei o que Freud explica, mas meu carnaval passou, that's over, baby! No mais, já fui.


sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Foi.

Triste é quando a certeza se desfaz. A dúvida não ocupou seu lugar, nada ocupou seu lugar.
E ali nem o vazio ficou, há quem duvide mas o vazio ocupa muito espaço.
A certeza se foi, e não tenho certeza de voltará.
Errado? Não, inSerto!




Escrito em solo carioca, com pensamentos paraibanos vagando por espaços paulistas.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Platônico II.

João Pessoa, 09 de dezembro de 2010.

J... ,

Em primeiro lugar, digo que minha intenção ao te escrever esta carta, é apenas para falar algo que está guardado em mim há muito tempo, mas que continua aceso. Não tenho intenção de influir na sua vida e em seus planos, e não espero por resposta alguma, por meio de ações ou palavras, mas claro que se houver alguma, será bem vinda.
Não sei bem o que represento, ou representei para você algum dia, não sei se fui apenas mais uma na sua história. Esta carta é simplesmente para dizer que para mim você não apenas mais um. É incrível de como me lembro de detalhes da época em que nos conhecemos e passamos a estar mais próximos. Telefonemas, visitas inesperadas, festas, shows, noites na praia, em frente ao portão de casa, aparições no meio da madrugada... Cada vez que lembro o dia que nos conhecemos, me passa um filme na cabeça. Você sempre foi uma ótima companhia, e sempre mexeu comigo de uma maneira singular, diferente, única, e não entendo como e nem por que mexe até hoje, mesmo com tanta ausência, com tanto tempo que passou.
Acho que já faz um ano que não nos vemos. E não sei qual seria minha reação ao te ver se te visse hoje, ainda mais depois de abrir meu coração desta forma, só sei que não seria tão natural quanto eu gostaria, pois para mim reação natural ao te ver é te abraçar e te beijar, mas sei que hoje não poderia fazer isto, e quando penso nisto chega até a me dar uma pontada de ciúmes.
Sei que em muitos momentos fui tola com você, na nossa última aproximação, não sei se estou certa, mas sinto como se tivesse jogado fora uma oportunidade de estar com você de fato. Poderia dizer que foi medo de me magoar mais uma vez (pois também já me magoei com você, mas mesmo assim, não deixou de ser especial para mim), poderia dizer que estava confusa ou que não era o momento certo, mas não, assumo que fui tola mesmo.
Meu sentimento todo não cabe nesta carta, mas uma parte dele está aí, só para que você saiba que ele existe, que ele resiste.
Espero ser para você no mínimo uma saudade boa, uma lembrança doce.


Beijos com muito carinho,

Natália Angela Pessoa.


Sim, esta é uma carta se amor escrita por mim, e como eu já disse, amor platônico é falta de coragem, e como disse Leoni na música "Alice": "Eu guardo pra te dar as cartas que não mando..."
Quem sabe um dia a coragem brota, ou você passa por aqui e entende o sinal.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Santo capsilone.





Na corriqueira balada, olhei em volta, e estranha me senti, eu vi o oco de onde eu estava. Bar da moda, com as músicas da moda, bar lotado de muito vazio, mais uma noite observo o saldo bancário que diminui, o cansaço do dia seguinte que se multiplica. Relevante foi estar com meus queridos amigos, em qualquer lugar, estar com eles vale a pena, motivo para questionar-me ainda mais, então para que ir para um ambiente tão lotado e vazio? Estou tal qual mulher que apanha do marido, reclama e continua com ele, e aqui revelo meu medo de um dia também me esvair, peço proteção aos céus para abençoar meu capsilone e mantê-lo ele bem apertado, vedado, para meu conteúdo não sair.
Outras declarações ficam a cargo do grande Vinícius.



As mulheres ocas
[Vinícius de Moraes]
Nós somos as inorgânicas
Frias estátuas de talco
Com hálito de champagne
E pernas de salto alto
Nossa pele fluorescente
É doce e refrigerada
E em nossa conversa ausente
Tudo não quer dizer nada.

Nós somos as longilíneas
Lentas madonas de boate
Iluminamos as pistas
Com nossos rostos de opala.
Vamos em câmara lenta
Sem sorrir demasiado
E olhamos como sem ver
Com nossos olhos cromados.

Nós somos as sonolentas
Monjas do tédio inconsútil
Em nosso escuro convento
A ordem manda ser fútil
Fomos alunas bilíngües
De "Sacre-Coeur" e "Sion"
Mas adorar, só adoramos
A imagem do deus Mamon.

Nós somos as grã-funestas
Filhas do Ouro com a Miséria
O gênio nos enfastia
E a estupidez nos diverte.
Amamos a vida fria
E tudo o que nos espelha
Na asséptica companhia
Dos nossos machos-de-abelha.

Nós somos as bailarinas
Pressagas do cataclismo
Dançando a dança da moda
Na corda bamba do abismo.
Mas nada nos incomoda
De vez que há sempre quem paga
O luxo de entrar na roda
Em Arpels ou Balenciaga.

Nós somos as grã-funestas
As onézimas letais*
Dormimos a nossa sesta
Em ataúdes de cristal
E só tiramos do rosto
Nossa máscara de cal
Para o drinque do sol posto
Com o cronista social.


* Uma das categorias da Nova Gnomônia, de Jayme Ovalle, que classifica os seres e as coisas em: datas, parás, mozarlescos, kernianos e os onézimos, sendo estes conhecidos "pés-frios". Para maiores esclarecimentos, ver o capítulo [a crônica] "A Nova Gnomônia" em Crônicas da província do Brasil, de Manuel Bandeira.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Tabu.

Não consigo ver o amor e suas demonstrações como um pecado. Como pode algo tão sublime não ser de Deus? Se amar é pecado, me esclareça: Se outra tu não tem, e eu só tenho a tu, a quem estaremos enganando caso isso aconteça? Minha razão não entende este ultrapassado tabu.
Não preciso declamar ao mundo, nem ostentar um símbolo feito de vil metal para saber do que sinto, sei que é para sempre, pois o infinito é enquanto existe, e se hoje há, por que não nos deleitar?
Não significa que eu ache que amanhã não vou mais te amar, eu posso sim esperar, mas devo? Se hoje eu tenho certeza que meu amanhã é contigo, o que há de mal aproveitar também no presente.
O pecado mora na indiferença, no desamor, na mentira. Se no ato de amar nenhum desses sentimentos há, envolvida nos teus braços prefiro estar, discriminalizar nosso prazer e não banalizar nosso amor.
Falo de amor, não confunda naturalidade com promiscuidade, o que é natural, não deixará de ser divino.


Mas se unir nossos corpos ainda for pecado, aceito correr o risco para irmos juntos mil vezes ao céu, antes de cair vertiginosamente nas garras do diabo.


Reclusão.

Não tenho vocação para solidão, até gosto estar só. Mas a linha que divide o "ser" e o "estar" não é tênue. Carrego em meu intímo um pouco de solidão quando fico com meus pensamentos, dúvidas, desejos e ambições, e é onde prefiro ser só, do que só estar no meio da multidão.


Reclusão não é solidão, solidão é outra coisa.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

A Indiferença e o Medo.

Se a indiferença é medo, é diferente. Tem um que de "podia ser diferente".
O que faltou? Mais sorrisos? Algo não foi dito? O que poderia ter sido demonstrado? O abraço deveria ser mais apertado, os olhares deveriam ter mais desejo, os carinhos mais envolventes, os beijos mais quentes?..
Mas de qualquer forma, já não faz mais diferença agora, como antes faria.
Se a indiferença é medo, é diferente.
Entendo que o medo é defesa, ter medo é proteger-se. Mas do medo também entendo que deve ser superado quando se quer provar de algumas coisas que a vida têm a oferecer. Quem tem medo de altura deixa de voar por lugares incríveis. Para viver a vida em sua totalidade é preciso lançar-se nela.
Agora eu vou fazer diferente, já que a indiferença é medo.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Nós.

Diferente, soube que assim era desde o início, igual a mim. Pensamentos parecidos, gostos que combinam, modo de vida similar, eis que surge a característica que dela derivam os maiores sentimentos entre duas pessoas, a afinidade, e foi tamanha de modo as frases durante as longas conversas, sempre muito prazerosas, não precisam ser terminadas para serem entendidas, sintonia, reciprocidade.
Momentos de ternura, momentos felizes, momentos que completam tudo isto. Breves momentos para tanto sentimento, sentimento leve, livre, característica mais importante, livre para crescer, livre para tornar-se o quiser, simplesmente livre e isto o faz genuíno.
Com cara de amor adolescente, mas com a certeza que só a maturidade pode trazer, segurança de que está lá, que existe, que suporta, sem cobranças, restrições, sem prisões.
O físico é importante, mas a mente é fundamental, mais importante do que tocar o corpo, é tocar o coração. Verdadeiro é quando a união dos corpos reflete a união de duas mentes e não o contrário.
De um modo diferente de tudo, me faz feliz, me faz bem.
O horizonte está desfocado, não vejo como será (se terá) o fim desta história, no mais, vamos seguindo nesta "Infinita Highway".


segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Onde Moro.

Namorada.
Sou na morada, tua morada.
Juntos, lugar qualquer, estou na morada.
Se contigo estou, sinto-me em casa.
Se da namorada o amor eu tiro, me fica nada.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Homem.

Gosto de homem, mais do que isso, os admiro. Sem guerra dos sexos, quem é o sexo frágil, quem é o sexo forte, isto pouco importa, digo que admiro a forma masculina de agir, acho que por isso levo comigo este jeito um tanto "macho" de levar a vida, não pelo desejo de ser masculina, e nem masculinizar-me, longe disto, de minha feminilidade não abro mão, falo do modo com que os homens encaram alguns fatos, sem fazer uma tempestade num copo d'água, falo de atitude, falo de ir direto ao ponto, sem rodeios, praticidade, já disse várias vezes que se descomplicamos, o coração agradece.
Gosto de homem, homem com "borogodó", que chega e toma a iniciativa, que sabe elogiar, ser gentil, sem ser meloso. Confiante, que chega e diz o que quer (e dessa forma geralmente consegue), que fala com propriedade sobre os assuntos que o interessa. Causa-me fascínio homem, que mesmo não dominando o assunto do qual você trata, sabe fazer perguntas inteligentes a respeito, falando nisto, inteligência de fato é uma característica muito afrodisíaca, assim como o bom humor, não falo do sujeito que parece engolir um palhaço a cada manhã e possui um estoque interminável de piadas infames, falo do homem que faz rir de maneira inteligente, sutil, que fica lindo quando é bobo, mas não chega nem perto de ser um bobalhão.
Gosto de homem de fala de futebol, conta piada sacana, bebe cerveja e assiste vôlei de praia feminino para ver as atletas de biquíni, mas que também saiba apreciar um bom vinho, fale "coisinhas" ao ouvido.
Gosto de homem e de suas mãos, que sabem acariciar o rosto, segurar na nuca, enroscar na cintura, correr pelas costas, percorrer o corpo e segurar na mão.
Gosto de homem cuja voz é massagem para os ouvidos, por falar pausadamente, mansamente, exatamente o que deixa as pernas bambas, sem palavras exageradamente rebuscadas, apenas bom português, simples, sotaque gostoso ritmando o som das palavras doces que massageiam também o ego.
Gosto de homem e seus trejeitos, ao colocar a mão no queixo pensativo, coçar a cabeça preocupado, franzir a testa tentando entender, ao sorrir como moleque traquino ou lançar um olhar digno de lobo à caça.
Gosto de homem de cabelo bagunçado, camisa social com as mangas levantadas, naturalmente despojado, barba a fazer, perfume marcante, sorriso aberto, semblante de dono do mundo, não falo de beleza, falo de charme, sensualidade sem precisar sensualizar, isto é para "los maricones", não precisa de caras e bocas quando se tem o tal "borogodó", exala testosterona.
Gosto de homem que não bajula ninguém, fala o que pensa, faz o que quer e sabe que isto não é ser do contra, é ter personalidade.
Gosto de homem, que seja um bom amigo para seus amigos, bom filho, bom irmão, tenha bom caráter.
Gosto de homem, admiro homens, e não "meninos".

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Agir.

Ação
Libertação
liberta a ação
liberta para a ação
livre imaginação
Imagina a ação
livre para imaginar
liberta para a ação
Motivação
motiva a ação
motivo para ação
motivada para realizar.

Ação imaginada
Ação motivada
Ação realizada

Real ação:
Realização.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Terráquios.

"Homens são de Marte, mulheres são de Vênus"


Não necessariamente, desculpe Johh Gray, mas conheço pessoas, independente de gênero, que poderiam ter vindo de vários planetas.
Quem veio de Mercúrio  está sempre à sombra de alguém maior, complexo de inferioridade.
Pessoas com mania de grandeza, megalomaníacas por natureza, certamente vindas de Júpiter.
Há quem "não acha bonito, o que não é espelho", narcisistas, vaidosas, cobrem-se de beleza, de artifícios, tal qual seu planeta de origem, Saturno, mas de que adianta ser tão belo e inabitável?
Pessoas excênticas e revolucionárias, tal qual Urano, o planeta que tem o eixo de rotação quase deitado em relação ao eixo de outros planetas, não seguem conceitos, estão indiferentes ao o que acontece, seguem seu caminho sem seguir ninguém.
Surpesticiosas, desconfiadas, introspectivas, vivem fora do real, habitam Netuno.
De Plutão vêm os frios e distantes, esses geralmete se isolam, afinal Plutão nem planeta é.
Neste misto de astros, eu questiono, por que não ser simplesmente Terráquio? Ser um misto saudável de emoções, agir de acordo com seus sentimentos e vontades. É uma questão se ser razoável e assim "habitável".

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Sem dúvida.

Ouvi dizer por aí que você ainda me ama, e eu não duvido disto. Mas de que isto importa agora? Seu modo de amar é torto, seu amor não é o amor que quero para mim, seu modo de amar fez com que meu amor por você morresse. Aí vem o clichê: "Se morreu, não era amor". Era sim.
Amor é um sentimento infinito, é para sempre, e eu também não duvido disto. Mas o para sempre é relativo, o meu para sempre foi até o momento que existiu, e foi infinito enquanto durou.


quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Despertar.


 De manhã, do meu quarto ouço pássaros a cantar, vejo no pé de carambola, os frutos amarelos cor d’ouro brilham a luz do que me manda raios que enchem o meu quarto de luz e paz, o vento invade o ambiente e faz as fotos fixadas no mural balançarem, com a visão ainda embaçada olho para o colorido formado pela mistura de imagens e rostos dali, a brisa suave percorre o lençol que envolve meu corpo, que sensação gostosa. Sobre a janela dois vasos com crisântemos, um com flores vermelhas cujo miolo amarelo lhe dá um contraste magnífico, o outro vaso com flores lilás, combinando com as paredes pintadas por mim, no meio dos dois um singelo vaso com um cacto, singelo em aparência, mas rico em significado, o móbile dança conforme o vento. Lá fora escuto os poodles brincando, latidos, grunhidos, todos de alegria, gostaria de ser como eles, que todos os dias acordam assim, dispostos para a vida, felizes pelo simples amanhecer. Cheiro de café preto pelo ar, rádio ligado, mamãe reclama, papai retruca, risadas na cozinha, gatas miam querendo leite, o jornal chega, não estou só, obrigada Senhor. Cama gostosa, preguiça boa, como é difícil levantar, mas a vida chama.
Estico o corpo, abro o sorriso. Bom dia!

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Início e Fim.

Hoje pensei na vida, e pensando nisto, pensei também na única certeza que temos nela, a morte.
Parece mórbido, mas para mim foi um pensamento feliz. Não que eu a deseje(longe disto), mas este pensamento me deu uma sensação de satisfação com a vida, sei bem que minhas metas não foram alcançadas, que não fiz tudo que desejo, mas olho para trás, o caminho que percorri, e vejo flores, um canteiro imenso de flores, bem adubadas com os erros que cometi, com os tombos que levei e por isso mesmo elas cresceram belas, perfumadas, vigorosas.
Imagino quem iria ao meu funeral, àqueles que iriam por formalidade e àqueles pelo sentimento e ainda àqueles que a dor seria tão grande que não suportariam ir, acreditem, eu entenderia. Já perdi pessoas a quem eu amei muito e não suportei vê-las "encaixotadas", e de fato não vi, e sou feliz por que tenho a última imagem delas em vida guardadas em minha memória. Sou uma pessoa que me impressiono muito com imagens, elas ficam como fotografias em minha mente, tenho um álbum guardado comigo, sorrisos, expressões, gestos, olhares...
É legal saber que as pessoas se sentiriam tristes por você não estar mais com elas, mas eu tenho agonia de ver gente chorando perto de mim, eu nunca sei o que dizer, como agir, na boa, sou péssima nisto, sendo assim , no meu funeral, queria músicas alegres, tem umas músicas de Nando Reis, Diogo Nogueira, uns sambinhas legais, desses que exaltam a vida, que dizem que tudo valeu a pena, que é pra ter fé... Nada de tocar "Epitáfio" dos Titãs, é música mais depressiva possível para o momento, podem achar conveniente para o momento, clima de enterro e tal, mas acreditem, não é.
Não há nada mais tenso do que o cortejo até o cemitério, nesta hora para descontrair poderam lembrar das minhas piadas sem graça, os micos que já paguei, minhas leseiras, nerdices, passamentos, quem sabe assim alguém atinge a façanha que tive há alguns anos atrás de chorar e rir ao mesmo tempo, é engraçado, eu garanto.
Na hora do enterro, algumas precauções acho importante ressaltar, não gostaria de ser enterrada com nada que não fosse biodegradável, passei a vida toda me preocupando com o meio ambiente, jogando papelzinho de bala na bolsa pra não jogar no chão, no momento final não quero vacilar. Ah! Gosto tanto dos meus sapatos, que não quero nenhum se acabando na terra viu, vou descalça.
Na minha lápide uma foto minha (colorida, volto para puxar o pé de quem colocar uma 3x4) feliz, igual a vida que tive, como na maioria do tempo sou. Quero que quem passe por lá não lamente-se por que me fui, e sim alegre-se por que feliz fui.
E assim gostaria que fosse, ser lembrada assim, até que chegasse o tempo que eu me tornasse apenas uma lembrança distante, acontece, o tempo passa, a vida muda, o que fica guardado é o mais importante, a lembrança, mesmo distante, que seja boa, que seja feliz, que seja doce.
E o mais engraçado, que pensando na minha morte, revelo quem sou em vida.


Na mesma pedra se encontram,
Conforme o povo traduz,
Quando se nasce - uma estrela,
Quando se morre - uma cruz.
Mas quantos que aqui repousam
Hão de emendar-nos assim:
"Ponham-me a cruz no princípio...
E a luz da estrela no fim!"
[Mário Quintana]

sábado, 10 de setembro de 2011

Portões abertos.

Ontem eu era outra, não muito diferente de quem sou hoje, mas algo em mim mudou, mudou para melhor. Eis um trecho do meu post anterior:

Admiro sendo hipócrita, pois sei que não teria coragem para tanto, sei que não sou mais capaz de lançar-me em algo assim, não sei se abriria os portões do meu castelo desta forma, no auge dos meus 20 e poucos anos parece ser um tanto precoce tal declaração, mas hoje é assim que me sinto, hoje esta sou eu, esta é a verdade que carrego comigo hoje, amanhã já não sei.

Hoje eu acredito, abri os portões de meu castelo e deixei que o sentimento entrasse. O amanhã chegou, em uma semana mudei conceitos. Hoje me vi comprando passagens, vou percorrer quase 3000km, lançar-me-ei nesta "aventura", não de cabeça, não de uma vez, não criando mil expectativas, mas vou, o "ir" já é ousado demais para este coração cansado, já é um passo largo o bastante para mim. Cabeça nas nuvens, mas com os pés no chão (pelo menos hoje, quanto ao amanhã, mais do que nunca, sei que não sei).

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Portões do Castelo.

"Sou a princesa no alto do meu castelo.Não tenho tranças pra jogar mas tenho e -mail e celular" [Tati Benardi]

Tenho acompanhado duas histórias de amor, dessas que eu, dona de um coração cansado, descrê. As duas têm elementos em comum, dois conto de fadas moderno.
Conheceram-se na internet, apaixonaram-se, ao contrário do que dizem por aí, o conteúdo atraiu e a beleza convenceu, conheceram-se pessoalmente, detalhe que uma atravessou o país para que isto acontecesse, a química deu certo e hoje tenho duas amigas grávidas, felizes às portas do casamento. E eu acompanhando, descrente, dava palavras de incentivo, na maioria das vezes não sinceras, palavras mornas como se não quisesse ser a “estraga prazer”, palavras delicadas para evitar as indelicadezas que poderiam semear a descrença.
Neste mundo moderno já tememos tanta coisa, para quê ter algo a mais para temer, em especial algo como o amor.
Admiro as duas, pela coragem e ousadia, por acreditar. Amor platônico é sinônimo de falta de coragem, se não tivessem tido peito e coragem de enfrentar o “desconhecido”, não estariam hoje andando nas nuvens, como uma delas bem se descreveu, “tal qual adolescente vivendo o primeiro amor”. Não estou aqui fazendo apologia a namoros virtuais, nem a encontro as escuras com desconhecidos, é uma simples questão de bom senso. Estou fazendo uma elegia ao romantismo esquecido, aos amores inalcançáveis onde é preciso ter coragem, enfrentar a tudo e a todos, que mandam os conceitos de uma sociedade tornou-se cética para o espaço. Admiro sendo hipócrita, pois sei que não teria coragem para tanto, sei que não sou mais capaz de lançar-me em algo assim, não sei se abriria os portões do meu castelo desta forma, no auge dos meus 20 e poucos anos parece ser um tanto precoce tal declaração, mas hoje é assim que me sinto, hoje esta sou eu, esta é a verdade que carrego comigo hoje, amanhã já não sei.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Cachorro e Gato.

Penso que quando falamos em gatos e cachorros no sentido de adjetivar as pessoas(lê-se os homens), estamos bastante equivocadas. Gato é o mocinho e cachorro é o cafajeste.
Àquele que te espera na porta de casa e te recebe todos os dias como se tivessem passados anos de separação e a saudade não coubesse mais dentro dele, que quando te vê se atrapalha, perde a pose, tropeça, um carinho seu é capaz de deixa-lo desnorteado, babando , está ao teu lado em todos os momentos, brinca, faz carinho, está sempre disposto a estar com você, sem esperar nada em troca, você briga com ele, ignora-o, mesmo assim ele não guarda mágoas e continua te recebendo com o melhor sorriso, pois ele tem certeza do seu amor por ele e faz questão de retribuir isto e entende que você deve estar passando por um dia ruim. Afetuoso, sincero, um pouco ciumento e extremamente protetor para massagem do nosso ego, domestica-lo é fácil, é fiel até o fim, com ele o até que a morte os separe é coisa séria. Assim é o cachorro.
Ao chegar você possivelmente não irá vê-lo, principalmente à noite, com vida noturna intensa estará passeando pela vizinhança em busca de diversão, mas não se preocupe, ele não desparecerá, ele sabe onde fica seu “doce lar”, quando tiver fome ou simplesmente quiser carinho ele virá, ele até gosta de diversão, diverte-se com você, quando ele quer, que isso bem claro, sua vontade é o que irá reger esta relação. Elegante, não perde a pose por nada, seus movimentos, sua suavidade, educação fascinam. Em certos momentos ele vai ignorar sua existência e não atender seus chamados, pois não é de fácil adestramento, ele só é doméstico até onde convêm seus interesses, ele tem certeza do seu amor por ele, mas sabe que não precisa retribuir, pois o terá da mesma forma, ele sabe que não pode te ferir profundamente, são aceitáveis apenas arranhões superficiais, os quais provavelmente você irá culpar a si, alegando defesa a alguma ação sua. Assim é o gato.
Diante disto, melhor ter com você um gato ou um cachorro? Quem é mesmo o cafajeste? E que fique bem claro que não falo de pets.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Platônico.

Lembra de mim quando escuta uma música, come algo, assiste TV? Me espera, me deseja, me espia, segue meus passos, pergunta por mim, fala meu nome, estou em seu pensamento?
A vida continuou, o tempo não pára, a vida não pode parar, esta é a regra... Ah! Mas que regras seguem os sentimentos, além de suas próprias regras? Eles por vezes congelam , perdem-se no tempo e espaço e permanecem o tempo que bem entenderem.
E assim foi, outros vieram, mas só você permanece.
Outros podem pensar que escrevo para eles, mas escrevo para você. Mas não há como saber, nunca te disse o quanto sempre lembro de você, o quanto te espero, desejo, falo no teu nome. Nunca estive realmente com você, e sinto-me covarde por isto, pois tive a oportunidade. Amor platônico é sinônimo de falta de coragem.
Imensa curiosidade eu tenho de saber se você lê o que escrevo, e sente.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Complicado.

Ele: Este seu jeito independente assusta... Vai com calma!
Eu: Puts, jurava que dependência, carência, que assustava!
Ele: Este seu jeito independente fascina, mas assusta...
Eu: O.o
[Diálogo verídico]

Peço conselho, ganho dúvida.
Amigos dizem adorar mulheres inteligentes, engraçadas, descoladas, independentes. Mas pense direitinho, mulheres assim, causam fascinação, admiração, ou seja, causam demais, inclusive medo, na real eles preferem as que se mostram frágeis, inseguras. E isto definitivamente é muito estranho. O fascínio afasta?
Típicas são as reclamações: "fulana pega muito pé", "ela é um grude" e coisas do gênero. Ruim tê-la no pé, pior sem tê-la. No fundo precisam da confirmação de que são amados, que nos têm sob controle, preferem a típica "Amélia"(que dizem ser a mulher de verdade).
Srta Independente sobre um pedestal, Sra Amélia sob suas rédeas.
O gênero mulher independente, que resolve suas questões, que não precisa de opinião a respeito de cada passo que vai tomar, acarreta sintomas prejudiciais a imagem sobretudo daquele que gosta de sentir-se o macho alfa.
Responda-me então: O quão confias no teu taco sujeito?

Companheira Srta Independente, tempos difíceis estes.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Preconceito de Felicidade.

 Há um certo preconceito com quem é feliz sem seguir conceitos, não entendo, é como se felicidade fosse um decreto de vazio e futilidade aos olhos de alguns. Repare nos olhares críticos como se dissessem "seja feliz, mas não espalhe ao mundo". A felicidade vinda de pessoas que não seguem o padrão "comercial de pasta de dente", é a que mais incomoda. Como se o fato de ser e comportar-se dentro dos padrões fossem requisitos básicos para ser feliz, associam a imagem de felicidade a perfeição (criada).
Quanto aos outros, os fora de padrão, devem medir suas ações seguindo uma espécie de manual de acordo com a sua aparência, profissão, idade, opção sexual: Gordinho não dança na boate, coroa  não anda de bicicleta, jovem não senta num café para ler um livro, mãe (mesmo que não seja a sua) não namora,  gays não são fiéis, deficiente não faz exercícios, o executivo não tem tatuagem, o feio não ganha destaque na mídia, padres não contam piada, magras não comem sundaes, mulheres não jogam bola, homens não fazem artesanato. Conceitos, preconceitos.
Seja como for, seja o que for, faça o que te faz feliz e seja feliz. Grite, dance, ame, namore, beije, corra, beba, permita-se. Olhos fechados, mente aberta!
A felicidade não está na aparência que nos veste, felicidade não está onde o outro enxerga, está além, está no nosso íntimo, está na maneira com que superamos os obstáculos, está em aceitar e gostar das diferenças, está na modo de se portar diante das situações, é ter noção do quanto e quando devemos exigir de nós mesmos.

Close your yes, open your mind. Be happy!

terça-feira, 19 de julho de 2011

Cálculo do diferencial.

O infinito é algo que sabemos que é grande, mas que não há como mensurar, não há como medir.
Os sentimentos quando sentimos que é grande, não há como mensurar, não há como medir.
Infinito é o que existe, enquanto existe.
Sentimentos são infinitos?! Enquanto existirem.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Amadora.

Amor é para profissionais.
Sou amadora,
amo demais.
Sou amadora,
nunca vou adiante,
sentimentos soltos pelo ar.
Amadora errante
espera um dia se encontrar,
amar aprender,
amante se tornar.

[Natália Angela Pessoa]

sábado, 16 de julho de 2011

Lógica.



Uma professora do jardim da infância ensinava aos seus alunos as primeiras noções de matemática, para ilustrar a operação da divisão, usou do seguinte exemplo:
- Se eu tenho quatro cenouras e dois coelhos, quantas cenouras cada coelho receberá?
Ouviu-se a resposta de maneira quase que uníssona:
- Duas!
Depois ouviu-se vinda do fundo da sala, uma voz delicada, porém convicta:
- Eu não concordo - dizia a pequena criança.
- Mas por que não? - retrucou a professora, criando um gélido silêncio.
E com toda sabedoria e ingenuidade, aquela menina de olhos vivos que ostentava duas tranças sob os ombros disse:
- E se um coelho for maior que o outro? E se um dos coelhos for tão pequeno que só consegue comer uma cenoura?
A partir daí o silêncio foi quebrado junto com as barreiras do imaginário, um debate nasceu e surgiram inúmeras possibilidades.
A lógica nem sempre parte da razão, o que é lógico nem sempre é certo, o certo nem sempre é lógico, de um exemplo não se pode tirar todas as conclusões sem avaliar todas as variáveis. Aquela sábia menina de trança sabia disto.


segunda-feira, 11 de julho de 2011

Fantasmas.

"Anda um triste fantasma atrás de mim
Segue-me os passos sempre! Aonde eu for,
Lá vai comigo…E é sempre, sempre assim
Como um fiel cão seguindo o seu Senhor!"
[Espectro - Florbela Espanca]


Sempre vejo fantasmas pelas esquinas, enquanto vejo algum filme, ao ouvir certas músicas, quando encontro pessoas...
Sei que estes fantamas não me abandonarão nem tão cedo, mas já não faz diferença, eles não me assustam mais.
Não há como ignorar que tais fantasmas estão intrinsecos em meu modo de vida, todas as situações pelas quais passamos na vida, nos deixam características, nos deixam hábitos que adquirimos com a convivência.
Lembranças são fantasmas, hábitos são fantasmas, mágoas são fantasmas que me assombram em vão, pois não mais me assustam, hoje convivo com eles e aceito que fazem parte de mim.

domingo, 10 de julho de 2011

Espinhos.

Mesmo atravessando longos períodos de estiagem, os cactos conseguem permanecer verdes e vigorosos, conseguem sobreviver.
Ás vezes alguns sentimentos ficam guardados dentro de nós, resistem ao tempo, ausência, circunstâncias que a vida nos coloca, basta um reencontro, uma troca de olhar para que ele viva. E vive em condições extremas. Que sentimento é estem que resiste a longas estiagens? Não sei, mas o comparo ao cacto.
Têm seus espinhos, podem machucar, temos que manusear com todo cuidado, mas resistem. Mas EXISTEM!

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Já sabíamos?!

Vagando pela minha lista de leitura, encontro um blog de nome sugestivo: "Entenda os Homens", dele extraí o seguinte texto.
O que ele quer?
“Ele só me liga quando quer, diz que gosta mas não corre atrás, diz coisas lindas só que...”

O primeiro passo é aceitar que todo mundo gosta de ter alguém nas “mãos” é fácil, gostoso e principalmente conveniente.


Felizmente ou infelizmente é assim que funciona quando sentimos que vamos perder algo, nem que seja um paparico ou um sexo casual, corremos atrás e queremos retomar o que de fato era “nosso”. Não estamos querendo um compromisso e sim só lembrar que existimos e assim confundir a cabeça de vocês.

Sabe quando ligamos para você na madrugada? Então, não quer dizer muita coisa, só queremos preencher um “vazio” que a noite nos deixou, conversar com alguém e quem sabe tentar alguma coisa para fecharmos a noite com chave de ouro. Na maioria das vezes se a “ex” ainda estiver presente na vida do cara entenda que ela sempre vai ser mais especial do que você, então não espere que ele largue tudo ou esqueça ela por você.

Nisso é claro que existem caras idiotas que dizem “eu te amo” em uma semana só para poder te pegar, mas ai vai de você saber filtrar isso. Uma coisa posso garantir, quando nós queremos uma mulher erramos mais por “sufocar” do que realmente por “esquecer”.

Sim, nós mudamos de atitude de uma hora para outra, tem dias que só queremos quem nos da a certeza que o final da noite vai ser bom, tem dias que queremos só sexo, tem dias que realmente bate uma saudade de você, tem dias que não queremos falar com ninguém e tem dias que queremos tudo ao mesmo tempo. No fundo a maioria de nós não sabe o que quer e essas dúvidas só machucam quem está em nossa volta, mas infelizmente essa certeza só virá quando realmente nos interessarmos por alguém.

Nunca iremos mudar enquanto não encontrarmos uma mulher que mude a nossa rotina, que nos faça pensar diferente, que nos faça criar expectativas em algo que supostamente não existe ou que nos faça ter orgulho de lhe apresentar para os nossos amigos. Só não me pergunte como fazer isso.

Procuramos a certeza, pois na maioria das vezes ficar na mão não é uma opção. Vocês têm que entender que existem duas opções: “Gostar e realmente querer ficar com alguém” ou “Querer curtir e nada mais” e se o cara realmente optar pela primeira opção você irá saber.

Já dizia Shakespeare:

“Se os homens fossem constantes seriam perfeitos.”
[Extraído de: http://www.entendaoshomens.com/ ] 

O texto já disse tudo o que queria dizer, coisas que no fundo sabemos, percebemos, o difícil é aceitar, principalmente quando estamos envolvidas.

domingo, 5 de junho de 2011

Nublado.

Acordei e vi o dia
pela janela que o vento abria.
Dia preguiçoso, céu nublado.
Perfeito, quieto, calmo.

Me olhei e me vi sozinha
pela porta que a solidão abria.
Dia preguiçoso, céu nublado.
Imperfeito, inquieto, agitado.

Vento sopra,
agita as árvores do meu jardim.
Vento sopra,
agita o sentimento que há em mim.
Dia preguiçoso, céu nublado.
Tempestade aqui.

[Natália Angela Pessoa]

domingo, 29 de maio de 2011

Expectativa.

"Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e descobrirei o preço da felicidade!"
[O Pequeno Príncipe -Antoine Saint-Exupéry]
Como é boa a sensação de frio na barriga, mãos inquietas, calafrio na espinha, coração palpitante. Como é bom ter expectativa, imaginar momentos, visualizar situações, ensaiar diálogos, mesmo sabendo que na hora provavelmente nada sairá como no "ensaio".
Criar expectativas ou abrir espaço para que a outra pessoa as crie, sem que a possibilidade de cumpri-las exista chega a ser cruel. 
Sempre estou me policiando para não criar tal sentimento em relação aos outros, mas as vezes é inevitável, pois é muito difícil decifrar alguns sinais que as pessoas nos enviam, ainda mais quando há sentimento envolvido. Engraçado como uma simples palavra vinda de quem gostamos significa para nós,  da mesma forma que nos sentimos despedaçadas quando esta palavra é dura ou indiferente.
Bom seria se todas as expectativas fossem atingidas, os sentimentos correspondidos e a indiferença não fizesse diferença.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Diva Renascentista.


Renoir, famoso pintor impressionista francês que viveu entre o final do século XIX e início do século XX, retratava suas divas na plenitude da forma feminina em seu período renascentista. Essas divas eram roliças, voluptuosas, carnudas, curvilíneas, consistentes, rechonchudas...
Mulheres reais, adoravelmente reais, invejavelmente reais.
Divas retratadas de maneira doce, suave mas sexy, incrivelmente sexy. Desincubidas da árdua tarefa de manter o peso abaixo de valores naturalmente humanos, as fofinhas de Renoir podiam despir-se tranquilamente.
Por causa dessa sociedade e seu padrão almejo uma calça 38 como quem anseia por uma vaga no céu.
Ah! Como eram felizes as mulheres de Renoir!
Desconheciam photoshop, não nomeavam cada buraquinho que surgisse em sua coxa, não eram taxadas por um número ideal, não suavam desesperadamente em academias, não sabiam de cor a tabela calórica. E por falar em calorias... como são deliciosas, quem inventou as calorias, com certeza, foi o diabo.
Padrão de beleza é semelhante a moda, já houve um passado não muito distante que os "mulets" tomavam as cabeças masculinas e todos achavam o máximo, hoje é sinônimo de cafona. É fato que a moda vai e volta, assim sendo, aguardo ansiosamente para que o "padrão Renoir" esteja de volta, adoraria ser uma diva renascentista.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Vale mais que o silêncio.



A OBSERVAÇÃO
Não te irrites, por mais que te fizerem...
Estuda, a frio, o coração alheio.
Farás, assim, do mal que eles te querem,
Teu mais amável e sutil recreio...

[Mário Quintana]

Não entendo certos "incômodos" que as pessoas têm com a vida alheia, não entendendo, isto me faz refletir e formar teorias. Alguns destes discursos, carregados de falso moralismo, exalando hipocrisia me levam a acreditar no desejo que algumas pessoas têm de permitir-se. Me levam que quem muito se incomoda com as ações dos outros, estando estas dentro de sua vontade, decisão, sem prejudicar outras pessoas é porque têm vontade de agir da mesma forma. Mas algo lhe falta, lhe impede de agir assim, seja passividade, um relacionamento, um falso pudor. Não se acomode, nem se incomode, pois felicidade intensa nesta vida, é para quem pode. Aliás, é a segunda vez que falo disto por aqui
Acredito que alguém que venha a ler este texto vai identificar-se e dificilmente irá expor isto, mas para mim, externar este sentimento já me basta. E quem sabe àqueles que incomodam-se possam ouvir sua consciência e abrir mão da hipocrisia, como diz um Provérbio Chinês:
 "Cala-te ou fala algo que valha mais do que o silêncio."

terça-feira, 12 de abril de 2011

Dois.

Não entendo como algo intenso que aconteceu ontem (falo de ontem mesmo, no sentido claro da palavra), hoje, no dia seguinte, parece nada.
Acho que não estou pronta para esses tempos de dinamismo até nos sentimentos. Ser uma pessoa prática, não significa não sentir.
Papo de tudo acontece quando tem que acontecer, é furado quando entre o "acontecer" e o "quando" há uma montanha obstáculos construídos pela indiferença.
Não mostrar estar disposta a abdicar a tudo por uma relação, não significa que não possa sair da redoma que passa segurança. Não concordo que alguém tem que ceder, ambos cedem, ambos sentem, ambos se entregam, ambos admitem. 
Lembre-se: Ambos são dois, um não basta

domingo, 27 de março de 2011

Sentimento.


Abre os olhos e enxerga,
de nada adianta apenas ver.
Vai e se entrega,
que mal pode haver?

Se liberta
Se joga
Sinta!

Sentir, sem ter,
Sentimento, sentir medo.
 [Natália Angela Pessoa]

Relatividade.


Rumo certo,
pode ser o errado.
Caminho torto,
freio despedaçado.

Rumo errado,
pode ser o organizado.
Caminho reto,
freio engatado.

Certo e errado,
errado certo,
certo errado.

Tudo é relativo
está enlaçado,
e sempre vivo.

[Natália Angela Pessoa]

quarta-feira, 16 de março de 2011

Fragmento do Eu.

 
Profissional das construções, educando sobre a estrutura dos prédios, da sociedade e do ser. Estudante das tecnologias construtivas das edificações e da alma. Aprendiz, eterna aprendiz, dos mestres de diploma, dos que põe a mão na massa e daqueles cujas feições mesmo marcadas pelo tempo não escondem a semelhança com meu reflexo no espelho.
 
Um pequeno fragmento de quem sou.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

De mudança, sempre.

"Se chovia, ele tinha saudade do sol, 
se fazia calor, tinha saudade da chuva"

[Auto retrato - José Lins do Rego]


Simplesmente porque nunca estamos totalmente satisfeitos com nossa atual condição. Minha fala não é um incentivo ao comodismo, pelo contrário, devemos sim ir à luta. Eu falo de momento, de estado da alma. 
Se estamos sós que falta faz ter um aconchego, principalmente numa noite fria, em um fim de semana chuvoso, numa noite enluarada. Se não estamos sós que falta faz a liberdade de ir e vir sem dar satisfações, planos independentes, aventura com os amigos.
E vamos vivendo com saudade do sol, saudade da chuva, saudade de só depender de mim, saudade chamar de nós, cada saudade no seu momento. Mas saudade é um sentimento bom quando dá vontade de mudar, permanecer igual nos priva de muitas emoções e "de que vale viver a vida assim sem aventura?". Bom mesmo é estar de mudança, sempre!

domingo, 20 de fevereiro de 2011

De boa.



Você já teve a sensação de que o que você sentia não era tudo isso que você esperava estar sentindo? Comigo aconteceu, e sabe qual foi a minha reação? Quando a ficha caiu, a sensação que tive foi de tranquilidade. O estranho é que eu não esperava por isto, por mais que nós julguemos nos conhecer, estamos sempre nos pregando peças, muitas vezes nossas próprias reações nos surpreendem, os sentimentos que surgem na nossa mente (isto mesmo, mente, é de lá que os sentimentos brotam) não são fáceis de ser controlados, e a idéia não é controlar mesmo, é pensar e ver se vale a pena, é analisar.
Tudo tem seu tempo. Tudo acontece quando tem que acontecer... Inclusive não acontecer nada! É, acontece! O ideal é levar consigo o que for de bom e o resto é lição, no mais, tranquilidade sempre!  
Isto não é uma conclusão, é uma análise de como me sinto hoje, apenas isto, de boa, numa boa, tranquila para o que pode vir acontecer ou não, não confunda com indiferença, isto é outra coisa, prefiro estar afogada em sentimentos e sensações a estar indiferente. E quem sabe amanhã não será mais nada disso... Quem sabe prego outra peça!


Sorriso no rosto e alma lavada!

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Diferentes.



Você já pensou que o nosso grande problema, nas relações pessoais, é que desejamos que os outros sejam iguais a nós? Em se falando de amigos, desejamos que eles gostem exatamente do que gostamos, que apreciem o mesmo gênero de filmes e música que constituem o nosso prazer. Em se falando de relacionamentos, queremos sempre que o outro esteja na nossa mesma sintonia, no mesmo momento, com a mesma vontade. Mas temos que nos conter às vezes e colocar na balança as nossas vontades, e ceder. Pois é assim que nos relacionamos com o próximo: ora concordando, ora não. O importante é que cada um tenha as suas ideias formadas, sendo flexível o bastante, para ouvir e entender a outra parte
A idéia é que: se somos diferentes, passamos por momentos diferentes, mas há algo que nos une, e este algo é bom, é o que importa.

"Cada qual sabe amar a seu modo; o modo, pouco importa; o essencial é que saiba amar." 
[Machado de Assis]

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Ano novo, sim! Vida nova?...

É de praxe na virada do ano prometermos a nós mesmos (e aos outros) muitas coisas, como se o dia 31 de dezembro fosse um dia mágico, onde tudo que desejamos pudesse se tornar realidade, mas o fato é que este dia é um dia igual a todos os outros. Dia de renovar, de mudar, de transformar é qualquer dia, é hoje, é amanhã, é quando a alma necessitar.
Temos mania de datas, de números para guiar nossas vidas. Aniversários, datas comemorativas... Não que eu tenha algo contra datas comemorativas, adoro comemorar (até demais), mas ter essas datas como ponto de partida ou chegada dos nossos objetivos, do nosso comportamento, da nossa maneira de ver e viver o mundo, isto sim não dá!
Começar dieta na segunda, fazer um curso ano que vem, viajar quando... tsc tsc tsc...
Vamos parar de adiar a vida! Ela está acontecendo agora! 
Se for para esperar, é melhor esperar nosso momento do que uma data. Vamos olhar menos o calendário (principalmente adiante), e olhar mais para dentro nós, das nossas necessidades, nossas vontades, nossos anseios.
Só me falta seguir meu próprio pensamento...

P.s.: "Casa de ferreiro, espeto de pau!"