segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Desmusicalização.

Tudo que espalhei por este chão de giz foi recolhido, mas os devaneios que me torturam, insistem, resistem, tolos devaneios concretos, pode parecer sem nexo, mas para mim faz sentido jogar tudo em um pano de jogar confetes e deixar tudo espalhado pelo ar. Gastei muito do meu batom, para satisfazer pouco do meu vício. Já disse Vinícius: "Se o amor é fantasia, eu me encontro ultimamente em pleno carnaval", não sei o que Freud explica, mas meu carnaval passou, that's over, baby! No mais, já fui.


sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Foi.

Triste é quando a certeza se desfaz. A dúvida não ocupou seu lugar, nada ocupou seu lugar.
E ali nem o vazio ficou, há quem duvide mas o vazio ocupa muito espaço.
A certeza se foi, e não tenho certeza de voltará.
Errado? Não, inSerto!




Escrito em solo carioca, com pensamentos paraibanos vagando por espaços paulistas.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Platônico II.

João Pessoa, 09 de dezembro de 2010.

J... ,

Em primeiro lugar, digo que minha intenção ao te escrever esta carta, é apenas para falar algo que está guardado em mim há muito tempo, mas que continua aceso. Não tenho intenção de influir na sua vida e em seus planos, e não espero por resposta alguma, por meio de ações ou palavras, mas claro que se houver alguma, será bem vinda.
Não sei bem o que represento, ou representei para você algum dia, não sei se fui apenas mais uma na sua história. Esta carta é simplesmente para dizer que para mim você não apenas mais um. É incrível de como me lembro de detalhes da época em que nos conhecemos e passamos a estar mais próximos. Telefonemas, visitas inesperadas, festas, shows, noites na praia, em frente ao portão de casa, aparições no meio da madrugada... Cada vez que lembro o dia que nos conhecemos, me passa um filme na cabeça. Você sempre foi uma ótima companhia, e sempre mexeu comigo de uma maneira singular, diferente, única, e não entendo como e nem por que mexe até hoje, mesmo com tanta ausência, com tanto tempo que passou.
Acho que já faz um ano que não nos vemos. E não sei qual seria minha reação ao te ver se te visse hoje, ainda mais depois de abrir meu coração desta forma, só sei que não seria tão natural quanto eu gostaria, pois para mim reação natural ao te ver é te abraçar e te beijar, mas sei que hoje não poderia fazer isto, e quando penso nisto chega até a me dar uma pontada de ciúmes.
Sei que em muitos momentos fui tola com você, na nossa última aproximação, não sei se estou certa, mas sinto como se tivesse jogado fora uma oportunidade de estar com você de fato. Poderia dizer que foi medo de me magoar mais uma vez (pois também já me magoei com você, mas mesmo assim, não deixou de ser especial para mim), poderia dizer que estava confusa ou que não era o momento certo, mas não, assumo que fui tola mesmo.
Meu sentimento todo não cabe nesta carta, mas uma parte dele está aí, só para que você saiba que ele existe, que ele resiste.
Espero ser para você no mínimo uma saudade boa, uma lembrança doce.


Beijos com muito carinho,

Natália Angela Pessoa.


Sim, esta é uma carta se amor escrita por mim, e como eu já disse, amor platônico é falta de coragem, e como disse Leoni na música "Alice": "Eu guardo pra te dar as cartas que não mando..."
Quem sabe um dia a coragem brota, ou você passa por aqui e entende o sinal.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Tabu.

Não consigo ver o amor e suas demonstrações como um pecado. Como pode algo tão sublime não ser de Deus? Se amar é pecado, me esclareça: Se outra tu não tem, e eu só tenho a tu, a quem estaremos enganando caso isso aconteça? Minha razão não entende este ultrapassado tabu.
Não preciso declamar ao mundo, nem ostentar um símbolo feito de vil metal para saber do que sinto, sei que é para sempre, pois o infinito é enquanto existe, e se hoje há, por que não nos deleitar?
Não significa que eu ache que amanhã não vou mais te amar, eu posso sim esperar, mas devo? Se hoje eu tenho certeza que meu amanhã é contigo, o que há de mal aproveitar também no presente.
O pecado mora na indiferença, no desamor, na mentira. Se no ato de amar nenhum desses sentimentos há, envolvida nos teus braços prefiro estar, discriminalizar nosso prazer e não banalizar nosso amor.
Falo de amor, não confunda naturalidade com promiscuidade, o que é natural, não deixará de ser divino.


Mas se unir nossos corpos ainda for pecado, aceito correr o risco para irmos juntos mil vezes ao céu, antes de cair vertiginosamente nas garras do diabo.


Reclusão.

Não tenho vocação para solidão, até gosto estar só. Mas a linha que divide o "ser" e o "estar" não é tênue. Carrego em meu intímo um pouco de solidão quando fico com meus pensamentos, dúvidas, desejos e ambições, e é onde prefiro ser só, do que só estar no meio da multidão.


Reclusão não é solidão, solidão é outra coisa.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

A Indiferença e o Medo.

Se a indiferença é medo, é diferente. Tem um que de "podia ser diferente".
O que faltou? Mais sorrisos? Algo não foi dito? O que poderia ter sido demonstrado? O abraço deveria ser mais apertado, os olhares deveriam ter mais desejo, os carinhos mais envolventes, os beijos mais quentes?..
Mas de qualquer forma, já não faz mais diferença agora, como antes faria.
Se a indiferença é medo, é diferente.
Entendo que o medo é defesa, ter medo é proteger-se. Mas do medo também entendo que deve ser superado quando se quer provar de algumas coisas que a vida têm a oferecer. Quem tem medo de altura deixa de voar por lugares incríveis. Para viver a vida em sua totalidade é preciso lançar-se nela.
Agora eu vou fazer diferente, já que a indiferença é medo.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Nós.

Diferente, soube que assim era desde o início, igual a mim. Pensamentos parecidos, gostos que combinam, modo de vida similar, eis que surge a característica que dela derivam os maiores sentimentos entre duas pessoas, a afinidade, e foi tamanha de modo as frases durante as longas conversas, sempre muito prazerosas, não precisam ser terminadas para serem entendidas, sintonia, reciprocidade.
Momentos de ternura, momentos felizes, momentos que completam tudo isto. Breves momentos para tanto sentimento, sentimento leve, livre, característica mais importante, livre para crescer, livre para tornar-se o quiser, simplesmente livre e isto o faz genuíno.
Com cara de amor adolescente, mas com a certeza que só a maturidade pode trazer, segurança de que está lá, que existe, que suporta, sem cobranças, restrições, sem prisões.
O físico é importante, mas a mente é fundamental, mais importante do que tocar o corpo, é tocar o coração. Verdadeiro é quando a união dos corpos reflete a união de duas mentes e não o contrário.
De um modo diferente de tudo, me faz feliz, me faz bem.
O horizonte está desfocado, não vejo como será (se terá) o fim desta história, no mais, vamos seguindo nesta "Infinita Highway".


segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Onde Moro.

Namorada.
Sou na morada, tua morada.
Juntos, lugar qualquer, estou na morada.
Se contigo estou, sinto-me em casa.
Se da namorada o amor eu tiro, me fica nada.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Agir.

Ação
Libertação
liberta a ação
liberta para a ação
livre imaginação
Imagina a ação
livre para imaginar
liberta para a ação
Motivação
motiva a ação
motivo para ação
motivada para realizar.

Ação imaginada
Ação motivada
Ação realizada

Real ação:
Realização.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Terráquios.

"Homens são de Marte, mulheres são de Vênus"


Não necessariamente, desculpe Johh Gray, mas conheço pessoas, independente de gênero, que poderiam ter vindo de vários planetas.
Quem veio de Mercúrio  está sempre à sombra de alguém maior, complexo de inferioridade.
Pessoas com mania de grandeza, megalomaníacas por natureza, certamente vindas de Júpiter.
Há quem "não acha bonito, o que não é espelho", narcisistas, vaidosas, cobrem-se de beleza, de artifícios, tal qual seu planeta de origem, Saturno, mas de que adianta ser tão belo e inabitável?
Pessoas excênticas e revolucionárias, tal qual Urano, o planeta que tem o eixo de rotação quase deitado em relação ao eixo de outros planetas, não seguem conceitos, estão indiferentes ao o que acontece, seguem seu caminho sem seguir ninguém.
Surpesticiosas, desconfiadas, introspectivas, vivem fora do real, habitam Netuno.
De Plutão vêm os frios e distantes, esses geralmete se isolam, afinal Plutão nem planeta é.
Neste misto de astros, eu questiono, por que não ser simplesmente Terráquio? Ser um misto saudável de emoções, agir de acordo com seus sentimentos e vontades. É uma questão se ser razoável e assim "habitável".

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Sem dúvida.

Ouvi dizer por aí que você ainda me ama, e eu não duvido disto. Mas de que isto importa agora? Seu modo de amar é torto, seu amor não é o amor que quero para mim, seu modo de amar fez com que meu amor por você morresse. Aí vem o clichê: "Se morreu, não era amor". Era sim.
Amor é um sentimento infinito, é para sempre, e eu também não duvido disto. Mas o para sempre é relativo, o meu para sempre foi até o momento que existiu, e foi infinito enquanto durou.


quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Despertar.


 De manhã, do meu quarto ouço pássaros a cantar, vejo no pé de carambola, os frutos amarelos cor d’ouro brilham a luz do que me manda raios que enchem o meu quarto de luz e paz, o vento invade o ambiente e faz as fotos fixadas no mural balançarem, com a visão ainda embaçada olho para o colorido formado pela mistura de imagens e rostos dali, a brisa suave percorre o lençol que envolve meu corpo, que sensação gostosa. Sobre a janela dois vasos com crisântemos, um com flores vermelhas cujo miolo amarelo lhe dá um contraste magnífico, o outro vaso com flores lilás, combinando com as paredes pintadas por mim, no meio dos dois um singelo vaso com um cacto, singelo em aparência, mas rico em significado, o móbile dança conforme o vento. Lá fora escuto os poodles brincando, latidos, grunhidos, todos de alegria, gostaria de ser como eles, que todos os dias acordam assim, dispostos para a vida, felizes pelo simples amanhecer. Cheiro de café preto pelo ar, rádio ligado, mamãe reclama, papai retruca, risadas na cozinha, gatas miam querendo leite, o jornal chega, não estou só, obrigada Senhor. Cama gostosa, preguiça boa, como é difícil levantar, mas a vida chama.
Estico o corpo, abro o sorriso. Bom dia!

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Início e Fim.

Hoje pensei na vida, e pensando nisto, pensei também na única certeza que temos nela, a morte.
Parece mórbido, mas para mim foi um pensamento feliz. Não que eu a deseje(longe disto), mas este pensamento me deu uma sensação de satisfação com a vida, sei bem que minhas metas não foram alcançadas, que não fiz tudo que desejo, mas olho para trás, o caminho que percorri, e vejo flores, um canteiro imenso de flores, bem adubadas com os erros que cometi, com os tombos que levei e por isso mesmo elas cresceram belas, perfumadas, vigorosas.
Imagino quem iria ao meu funeral, àqueles que iriam por formalidade e àqueles pelo sentimento e ainda àqueles que a dor seria tão grande que não suportariam ir, acreditem, eu entenderia. Já perdi pessoas a quem eu amei muito e não suportei vê-las "encaixotadas", e de fato não vi, e sou feliz por que tenho a última imagem delas em vida guardadas em minha memória. Sou uma pessoa que me impressiono muito com imagens, elas ficam como fotografias em minha mente, tenho um álbum guardado comigo, sorrisos, expressões, gestos, olhares...
É legal saber que as pessoas se sentiriam tristes por você não estar mais com elas, mas eu tenho agonia de ver gente chorando perto de mim, eu nunca sei o que dizer, como agir, na boa, sou péssima nisto, sendo assim , no meu funeral, queria músicas alegres, tem umas músicas de Nando Reis, Diogo Nogueira, uns sambinhas legais, desses que exaltam a vida, que dizem que tudo valeu a pena, que é pra ter fé... Nada de tocar "Epitáfio" dos Titãs, é música mais depressiva possível para o momento, podem achar conveniente para o momento, clima de enterro e tal, mas acreditem, não é.
Não há nada mais tenso do que o cortejo até o cemitério, nesta hora para descontrair poderam lembrar das minhas piadas sem graça, os micos que já paguei, minhas leseiras, nerdices, passamentos, quem sabe assim alguém atinge a façanha que tive há alguns anos atrás de chorar e rir ao mesmo tempo, é engraçado, eu garanto.
Na hora do enterro, algumas precauções acho importante ressaltar, não gostaria de ser enterrada com nada que não fosse biodegradável, passei a vida toda me preocupando com o meio ambiente, jogando papelzinho de bala na bolsa pra não jogar no chão, no momento final não quero vacilar. Ah! Gosto tanto dos meus sapatos, que não quero nenhum se acabando na terra viu, vou descalça.
Na minha lápide uma foto minha (colorida, volto para puxar o pé de quem colocar uma 3x4) feliz, igual a vida que tive, como na maioria do tempo sou. Quero que quem passe por lá não lamente-se por que me fui, e sim alegre-se por que feliz fui.
E assim gostaria que fosse, ser lembrada assim, até que chegasse o tempo que eu me tornasse apenas uma lembrança distante, acontece, o tempo passa, a vida muda, o que fica guardado é o mais importante, a lembrança, mesmo distante, que seja boa, que seja feliz, que seja doce.
E o mais engraçado, que pensando na minha morte, revelo quem sou em vida.


Na mesma pedra se encontram,
Conforme o povo traduz,
Quando se nasce - uma estrela,
Quando se morre - uma cruz.
Mas quantos que aqui repousam
Hão de emendar-nos assim:
"Ponham-me a cruz no princípio...
E a luz da estrela no fim!"
[Mário Quintana]

sábado, 10 de setembro de 2011

Portões abertos.

Ontem eu era outra, não muito diferente de quem sou hoje, mas algo em mim mudou, mudou para melhor. Eis um trecho do meu post anterior:

Admiro sendo hipócrita, pois sei que não teria coragem para tanto, sei que não sou mais capaz de lançar-me em algo assim, não sei se abriria os portões do meu castelo desta forma, no auge dos meus 20 e poucos anos parece ser um tanto precoce tal declaração, mas hoje é assim que me sinto, hoje esta sou eu, esta é a verdade que carrego comigo hoje, amanhã já não sei.

Hoje eu acredito, abri os portões de meu castelo e deixei que o sentimento entrasse. O amanhã chegou, em uma semana mudei conceitos. Hoje me vi comprando passagens, vou percorrer quase 3000km, lançar-me-ei nesta "aventura", não de cabeça, não de uma vez, não criando mil expectativas, mas vou, o "ir" já é ousado demais para este coração cansado, já é um passo largo o bastante para mim. Cabeça nas nuvens, mas com os pés no chão (pelo menos hoje, quanto ao amanhã, mais do que nunca, sei que não sei).

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Portões do Castelo.

"Sou a princesa no alto do meu castelo.Não tenho tranças pra jogar mas tenho e -mail e celular" [Tati Benardi]

Tenho acompanhado duas histórias de amor, dessas que eu, dona de um coração cansado, descrê. As duas têm elementos em comum, dois conto de fadas moderno.
Conheceram-se na internet, apaixonaram-se, ao contrário do que dizem por aí, o conteúdo atraiu e a beleza convenceu, conheceram-se pessoalmente, detalhe que uma atravessou o país para que isto acontecesse, a química deu certo e hoje tenho duas amigas grávidas, felizes às portas do casamento. E eu acompanhando, descrente, dava palavras de incentivo, na maioria das vezes não sinceras, palavras mornas como se não quisesse ser a “estraga prazer”, palavras delicadas para evitar as indelicadezas que poderiam semear a descrença.
Neste mundo moderno já tememos tanta coisa, para quê ter algo a mais para temer, em especial algo como o amor.
Admiro as duas, pela coragem e ousadia, por acreditar. Amor platônico é sinônimo de falta de coragem, se não tivessem tido peito e coragem de enfrentar o “desconhecido”, não estariam hoje andando nas nuvens, como uma delas bem se descreveu, “tal qual adolescente vivendo o primeiro amor”. Não estou aqui fazendo apologia a namoros virtuais, nem a encontro as escuras com desconhecidos, é uma simples questão de bom senso. Estou fazendo uma elegia ao romantismo esquecido, aos amores inalcançáveis onde é preciso ter coragem, enfrentar a tudo e a todos, que mandam os conceitos de uma sociedade tornou-se cética para o espaço. Admiro sendo hipócrita, pois sei que não teria coragem para tanto, sei que não sou mais capaz de lançar-me em algo assim, não sei se abriria os portões do meu castelo desta forma, no auge dos meus 20 e poucos anos parece ser um tanto precoce tal declaração, mas hoje é assim que me sinto, hoje esta sou eu, esta é a verdade que carrego comigo hoje, amanhã já não sei.